Minha lista de blogs

segunda-feira, 3 de abril de 2017



ESTES DIAS SOTURNOS
Sobre o tronco oco
Taciturno corvo
Vendaval rugindo
Sopro demoníaco
Bater de janelas
Toscas
Ritmo insano
Cada pensamento
Síntese
De fatos nefastos
Novos e antigos
Pá de cal deitada
Sobre o otimismo
Amargor na boca
Pés e mãos tão frios
Urge que se faça
Exumação de tudo
Que se tome
Rápido
Do rascunho sujo
E se passe a limpo
Corrigindo erros
Castigando crimes
Desfazendo equívocos
Para que a garganta
Possa
Liberar o grito

domingo, 2 de abril de 2017

O RETRATO DE DORIAN...OPS...DE DORIS DAY



Domingo
A manhã
Apenas se insinua:
Penumbra que
Deslumbra
Acena-me
Um dia novo
Similar ao anterior
[A noite é papel carbono]
Saio
Vou caminhando:
Aberta temporada de caça
[ Alvo?
Algo que me enleve
A alma ]
Na esquina
Schinus molle
Jasmim-do-cabo
Acácia
Perfazem motivo justo
Para profundo
Deo gratias
Deixando sobre
A calçada
Rastro viscoso
Brilhante
Desliza a lenta lesma
Carregando caracol
Caco de vidro alizarim
Cintila feito rubi
Sob frágil
Raio de sol
Aqui
Ali
Acolá
Alguma insignificância
E outra e outra e outra
No rol das coisas banais
Mas necessárias
Aos meus olhos
Sempre ávidos demais:
Gato no telhado
Hera no muro
No alambrado
Pardais
Terreno baldio
Barrento:
Joá bravo
Cravo-de-defunto
Arruda
Edelvais
[ E outros exemplos da flora
Cujos nomes
Já não sei ]
Ademais
Carregada pelo vento
Folha de revista antiga
Com retrato
De Doris Day
Ai
Grandessíssima
Besteira:
Lembrança
Amarelecida
[Que tola
Esta nostalgia ]
Comove-me
Sobremaneira
[Vou ficando mais sensível
A cada dia que passa
E não estou
Achando graça
Assim
Não aguento mais!
Urgente:
Tragam meus sais
Em tempo:
O nome do filme?
O Homem Que Sabia Demais...]

sábado, 1 de abril de 2017

ABRIL


Abril
Abriu-me
À lembrança
A Terra Desolada
(Sempre abre)
Germinou-me lilases
Em terra morta
E
Não obstante
Trouxe-me de volta
O medo
Do passeio de trenó
Chamou-me:
Zélia
Zélia
( Deixei de sentir-me só )
Mostrou-me
Imagens fraturadas
Sombra
Sob a rocha escarlate
A vidente
E o Marinheiro Fenício Afogado
(Minha carta)
Fez-me ouvir
A nona badalada
(Seria mesmo
O mais cruel dos meses?)

sexta-feira, 31 de março de 2017

LUA SOLÍCITA

LUA SOLÍCITA
Vendo-me
Assim
Descaída
A lua vem
Solerte
Solícita:
- Qual é a tua?
Pra cima
Menina!
E fica
Por aqui
Banhando-me em luz
Mostrando alegria
Tento reagir
(É quase fácil
Ser feliz):
Penso em alcaçuz
No lugar
Da estricnina

quinta-feira, 30 de março de 2017

SOB A LUZ


Vez  em quando
O impulso
De abrir portas
Janelas
Puxar cortinas
Girar taramelas:
Clarear o cárcere

Psique
Permanentemente
Sepulta
No breu
Ressuscita
E estranha
Sua imagem refletida
Nos olhos do dia

quarta-feira, 29 de março de 2017

DOBRADURA


Fosse dobrável
A melancolia
Dela eu faria
Um tsuru
Uma garça
Um grou
Algo que voasse
Pra longe
(Mas garanto
Que choraria:
Gosto tanto de bicho)

terça-feira, 28 de março de 2017

VOO INÚTIL
Logo além
Da cidade
Ali ao fundo
O imenso canavial
Metade verde- inglês
Metade verde- musgo
Escuro
Quase chumbo
Minha psique
Deixa o carrinho
No pátio
Do supermercado
E sobrevoa
Aquilo tudo
Volta
Desiludida
A despeito do céu
Tingido
Num tom de azul
Único
(Tanta cor
Pra nada)