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Não posso negar:
Costumam
Passar-me
Pela cabeça
Pensamentos
Deletérios
Alguns
Até
Se fixam
No espaço
Anteriormente
Reservado
Para
O otimismo
Ignorando
A tabuleta
De aviso
Chegam
Tomam assento
Espreguiçam
Esticam
As pernas
Apoiam os pés
Sobre
A banqueta
Pedem
Uma água
Um café
Um chá
Um suco
Pernoitam
Em sono
Profundo
Enquanto
Sequer
Conto
Carneiros
( Por não tê-los )
Chorosa
Padeço
No deserto
E eles
Prosperam
Em terra
Montanhosa

Hoje
É dia
De inventar
Alguma coisa
Pra dizer
Que
Ainda
Há vida:
Um quadro
Um verso
Uma comida
Uma corrida
Uma toalha
Tecida
Em nhanduti
Uma flor
De papel
E parafina
Uma visita
Esgrima
Uma lida
Qualquer
Que
Transforme
Tudo
Aquilo
Que está
Represado
N'algo
Que não seja
Lágrima

Todos
Os tons:
Azul ultramar
Azul da prússia
Azul cerúleo
Assim
Coloriu-se
O seu espírito
Durante
Aquele baile
( Mergulho
Num mar
Feito
De felicidade )
Dançou
Com o seu
Príncipe
Sobre nuvens
Finda
A festa
A carruagem
Virou
Abóbora
E a moça
Ficou velha
Impressa
A história
A ferro
Quente
Na memória
Para não
Se perder
Tornou-se
Imagem
Estampada
Sobre tela
( Serve
De consolo
Para ela )

Tortuosa
Complexa
Tem sido
A senda
Meândrica
Induz-me
A pensar
Em
Sinuosidade
Cármica
Anárquica
Confunde-me
A rota
Caótica
Rompe
E reata
Aleatoriamente
A linha
Do tempo
A corrente
Atávica
A carótida
Pulsa:
Velocidade
Supersônica
Onde
A lógica?

Três
Strelitzias
Lindas
De um vaso
Comum
De barro
( Comovidas
Com
O caso )
Vão
Conversando
Comigo
Enquanto
Varro
As lembranças
Pra
Debaixo
Do tapete:
Não quero
Morrer
De saudade
( Tudo
Culpa
Do retrato
Pendurado
Na parede:
Meu pai
Jovem
Sorridente
Olhando-me
Com ternura
Chamando-me
Para
O passado )

A vida
É viagem
É voo:
Céu
De brigadeiro
Avião novo
Tapete mágico
Mas
( Como
A natureza
Não dá salto )
De vez
Em quando
Alvoroço
Sobressalto
Abalo:
Estol de badalo

De vez
Em quando
O teto
Desaba
Mas não
Completamente:
Ficam
As vigas
Talvez
Por isso
Valha a pena
A vida
Existência:
Obra
Inacabada
Sempre
A placa:
Aqui
Se trabalha