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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Quando falta palavra


Muita vez
O dia
É só aridez
Só deserto

Mesmo
Havendo
Água
Por perto
Falta
Canal

Salmoura
Escorre
Na face
Invade
A boca
E
Tal qual
Labareda
Resseca
A palavra
Que
Evapora
Vai para o céu

Vigora
Um silêncio
Cruel

Sequer
Um verso
Viceja
Nenhuma
Rima
Aflora
Embora
Eu saiba
Onde mora
A metáfora
Onde
Reside
A métrica
[Fica tudo
Do lado
De fora
Do peito

Dentro
O coração
Chora]

44 comentários:

Assis Freitas disse...

chora mas canta em doce melodia,

abraço

Zélia Guardiano disse...

É, Assis... É preciso cantar, ainda que não seja doce a melodia, como dizes; digamos agridoce...
Grande abraço, meu poeta!

Pâmela Grassi disse...

Zélia,

suas palavras recordam um poema que fiz a um tempo atrás. permita-me colocá-lo neste canto:

estiagem das palavras

no tempo da seca a garganta se fecha
evoca a sede de palavras
aquelas que nos deixam molhadas
cujos pingos encharcam nossa alma de busca


beijos,

Luiza M. Nogueira disse...

versos sensíveis, flor na pele, a flor da pele. Palavra que é flor, flor que vira palavra...sentidos e significados poéticos.

Beijos.

Zélia Guardiano disse...

Bravo, Pâmela!
Você é maga das palavras... Eu já disse isso!
Beijos, querida!

Zélia Guardiano disse...

Luiza, querida
Bem-vinda!
Com sua presença este espaço se torna mais rico!
Grande abraço!

Lara Amaral disse...

A poesia está do lado de fora, mas o peito sempre acaba apanhado-a.

Lindo e intenso poema.

Beijos.

Zélia Guardiano disse...

Obrigada, Lara, minha sempre querida amiga!
Você, com sua sensibilidade , alcança possibilidades que me escapam...
Um grande beijo para você!

Cida disse...

Pois é Zélia, às vezes não basta saber onde está, o importante é saber, e ter forças para buscar...

Mas com toda certeza não é o seu caso, amiga, pois você consegue extrair àgua até de pedra, e sempre, com o seu jeitinho, consegue encontrar o canal certo para nos inundar de belezas.

Um beijo grande, e tenha um excelente final de semana, com um domingo todo em verde e amarelo.

Cid@

Rayuela disse...

llora sí,
muchas veces
el corazón
llora


(pero tu palabra no falta)


mil besos*

Mariazita disse...

Querida Zélia
O coração não tem razão para chorar, pois, por maior que seja a seca, encontra bálsamo na salmoura que escorre de seus lindos olhos.
Lindo poema!
Beijinhos

Zélia Guardiano disse...

Tens razão, Cida amiga!
É preciso ter força para a busca...Algumas vezes ela nos falta, não é mesmo?
Mas, tentemos...
Grata pela presença iluminada!
Beijos...

Zélia Guardiano disse...

Oh, Rayuela querida

Vibramos na mesma frequência... Que bom!
E palavra, se falta, a gente inventa...rs...
Grande , enorme beijo, amiga...

Aliás, mil besos*

Zélia Guardiano disse...

Querida Mariazita
Sua presença é indispensável aqui, até porque tira de meu coração a aflição... Se gostas do texto, então, fico mais do que feliz!
Grata, minha amiga!

Machado de Carlos disse...

Não saberei explicar como escrevo. Não há segredos! Apenas penso e escrevo. Quase sempre as palavras caem em lugar que não imaginaria. Ela – a palavra – “Vigora num silêncio”... Quase “cruel” ou não, depende do momento, e da emoção!
Beijos Carinhosos!

Zélia Guardiano disse...

Machado de Carlos
Estão confirmas aquilo de que eu já suspeitava: és , mesmo, um mago!
Beijos

Geraldo de Barros disse...

querida, Zélia, como sempre lindo poema!

=)

beijo
G

Wilson Torres Nanini disse...

Zélia, vez por outra nos deparamos com uma fonte abundante selada por uma pedra intransponível. Mas poesias, como a sua, escavam abrigo a nós que as admiramos.

Abraços!

Fatima disse...

Quando eu tenho um dia assim, canto sempre:

O Sol Nascerá
Cartola / Elton Menezes

A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida

Fim da tempestade
O sol nascerá
Finda esta saudade
Hei de ter outro alguém para amar

A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida

Bjs querida e muito obrigada pelo carinho!

Diana Ramos disse...

Quanta sensibilidade para falar da dor que traz no coração...Voce é pura poesia amiga, mesmo quando acha que não a encontra em si.Bjsss

Vitor Chuva disse...

Olá Zélia!

Obrigado pela carinhoso abraço de boas vindas, assim como pelas simpáticas palavras que lá deixaste - sempre agradáveis de ler.
Quanto ao bonito poema aqui escrito, ele trás-me à memória a imagem de alguém que estando tão perto da fonte não tem forma de como chegar à água e saciar a sede; suprema ironia!

Grande abraço; bom fim de semana.
Vitor

Sylvia Araujo disse...

Mas chora bonito, o danado!

É tanta lindeza, tanta singeleza, tanta inteireza nesse teu canto, que água. E deserto vira rio caudaloso no cio - transbordando da saliva que escorre.

Bonita demais, Zélia, essa tua maneira de pegar a palavra pela mão e levar pra dançar.

Beijoca enorme

Zélia Guardiano disse...

Wilson, meu querido
Tomara que seja assim, como dizes... Tomara...
Sua visita e seu comentário me enriquecem, e muito!
Obrigada!
Enorme beijo

Zélia Guardiano disse...

EBA!!!
Assim é que se fala, Fatima querida!
Vamos secar as lágrimas e, já que estamos em clima de copa do mundo, bola pra frente, né?
Obrigada, minha querida!
Mil beijos

Zélia Guardiano disse...

Minha sempre amiga Diana
Você, que é a sensibilidade em pessoa, dizendo essas palavras...
Obrigada,querida!!!
Enorme beijo para você...

Zélia Guardiano disse...

Geraldo, meu querido amigo e grande poeta
Sua presença e seu comentário são um prêmio para mim! Tenha certeza disso!
Obrigada!
Grande abraço!!!

Zélia Guardiano disse...

Oh, Vitor
Comemorei lá no seu espaço e quero comemorar aqui: BEM-VINDO!
Fazias muita falta...
Que bom que estás de volta!
Já não preciso mais olhar sua cadeira vazia...
Obrigada, meu bom amigo!
Grande abraço

Zélia Guardiano disse...

Silvya, Sylvia...
Vens e, à guisa de comentário, compões este lindo poema...
Demais!
Obrigada, minha querida!
Enorme beijo

Priscila Rôde disse...

Chora bonito, chora silêncios...

Adorei, Zélia.
Obrigada pela visita.
É um prazer t~e - la no Mar - íntimo.

Um beijo,
no seu coração.

Zélia Guardiano disse...

Oi, Priscila!
Que bom ter você aqui! É uma grande alegria!
Vem sempre...
Grande abraço!

Multiolhares disse...

Nós sabemos que só o toque suave do coração nos pode levar a porto seguro
beijinhos

Zélia Guardiano disse...

Verdade, Multiolhares!
Não há outra alternativa...
Grande abraço!

IVANCEZAR disse...

Mas esse momento de pranto interior se faz fundamental na construção de poema vindouro.

Zélia Guardiano disse...

Concordo com você, Ivancezar, mas muita vez passamos sufoco...rs...Mais, até, do que este que a Dinamarca está passando com Camarões...rs...Está 1 a 0 para os africanos...
Abraço

Daniela Delias disse...

Zélia! Te avistei entre as indicações do Assis! Que delícia de poema, que delíca de blog!!! Sigo-te agora e sempre! Bjos, carinho.

poetaeusou . . . disse...

*
óh árido canal
fonte de salmoura
água ressequida
em versos desrimados
reversos versejados
no coração aberto
das tuas metáforas.
srsrsr,
,
marés serenas, deixo,
,
*

Zélia Guardiano disse...

Oh, Daniela
Bem-vinda!!!
É alegria imensa tê-la aqui!
Venha sempre, que a casa é sua e você tem cadeira cativa...
Grata pelas palavras tão amáveis.
Grande abraço, querida!

Zélia Guardiano disse...

Poeta amigo
À guisa de comentário, deixas-me este poema tão bonito, com sua marca registrada... Que bom!
Grande abraço!!!

Daniel Costa disse...

Zélia

Quando falta a palavra, que nunca faltará, porque o pensamemto sempre sempre a ditará e acaba pos sair uma toada muito interessante, como a que acabei de ter o prazer de ler e gostar.
Daniel

Zélia Guardiano disse...

Bem-vindo, Daniel!
É muito bom tê-lo aqui!
Grata pela visita e pelo amável comentário.
Vem sempre...
Grande abraço!

Kimbanda disse...

Zélia:
Melancólico mas tão sentido que apetece relê-lo vezes sem conta. Há momentos que o oásis parece ali tão perto, mas o movimento para lá se chegar tem o seu tempo.
Chegados então, se reconhece que afinal não passava de miragem, pese embora esse esforço nos demonstre que na mesma é preciso continuar a caminhar.
KAadandos meus e grato pela sua visita na minha "serra..."

Paulo Jorge Dumaresq disse...

Zélia querida, quando falta a palavra você escreve dessa maneira, daí fico imaginando quando as palavras aflorarem, o que será que você vai dizer.
Pra variar, lindo poema.
Você é craque, amiga.
Abração.

Zélia Guardiano disse...

Oh, Kimbanda, que bom tê-lo aqui!
Adorei a visita e o comentário.
Venha sempre, que esta casa é sua e sorri quando você chega...
Grande abraço!

Zélia Guardiano disse...

Paulo Jorge
Obrigada paela visita e pelas palavras sempre doces. Sua presença é fundamental, aqui. Quando você chega, as nuvens se afastam...
Grande abraço, meu grande amigo e poeta!