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terça-feira, 21 de junho de 2011

Liturgia


O café
Está pronto

Posta
Está a mesa:
Toalha de crivo
Louça de friso
Café com leite
Pão com manteiga
Brevidade
Bolo de milho

Muito embora
Seja a cena
Assim
Tão meiga
Nada sabe
A café com leite
A pão com manteiga
A brevidade
A bolo de milho

Falta
Liturgia
Como se fosse
Missa
Em celebração
Leiga

Tudo retido
( Lá atrás )
Em redes
Em teias

Agora
É ouvir
Passarinhos
Em cujos pés
Pesam
Peias

23 comentários:

Beth/Lilás disse...

Que poema bonito, denso e ao mesmo tempo suave!
Também gosto de liturgia para cafés desse tipo, principalmente pela manhã que nunca dispenso sentar-me à mesa e comer sempre o que mais gosto.
Por enquanto, os passarinhos que ouço, não têm peias nos pés, cantam livres nas árvores abaixo do meu prédio.
beijos car5iocas

Luciana Marinho disse...

lembrar do rito, da celebração eternizando a brevidade... feliz são joão, zélia!

Andre Mansim disse...

Que café gostoso hein, e depois um descanso ao som dos passarinhos... É muito bom!

Te espero lá no blog!

Domingos Barroso disse...

elevada poetisa e amiga Zélia,
a liturgia (imagino) presente
no teu sagrado silêncio
(mágico alimento
das tuas manhãs)
...


beijo carinhoso.

Ingrid disse...

tua intensidade ainda me pega de surpresa..
beijos Zélia..

R. R. Barcellos disse...

As peias
E teias
Das redes,
Janelas
E telas
São missas
De novelas.

Sutil, Zélia... alegoria perfeita. Parabéns.

André Bessa disse...

Zélia, minha querida,

louça de friso me fez pensar: "haveria um sorriso de friso, também?"

O domínio das palavras é uma arte e, assim como tu, muitos poucos o tem. Brevidades....bolo de milho... olha, amiga, o teu café aí é mais que convidativo, hein? *rs

Excelente teu texto, querida Zélia, delicioso e muito perspicaz.

Um forte abraço,
André

E.T.: eu sei que inveja boa existe. É rara, sim, mas existe. A tua inveja pelo meu rio, por exemplo, é um desses casos.... *rs

Um brasileiro disse...

oi. tudo blz? estive aqui dando uma espiada. muito legal. gostei. apareça por la. beijose abraços.

Cacá - José Cláudio disse...

À mesa repleta de comes, bebes e gentes é liturgia melhor do que qualquer outra cerimônia. É a sociabilidade humana mais sagrada , eu acho. Muito belo, Zélia querida! Abraço grande. Paz e bem.

Toninhobira disse...

Um bela manhã junina,com os belos ingredientes que fazem do café uma liturgia da mais bela cerimonia.Voce é fantastica com este jogo e construção das palavras.Sempre diferenciada e bela poesia.
Meu abraço Zelia.

Tania regina Contreiras disse...

Quando você é quem o diz, Zélia, querida, não falta nada, está tudo completo e belo!
Beijos!

Rayuela disse...

un rito, que se repite y se repite.

bello poema
besos,Zélia*

Dilmar Gomes disse...

Querida amiga Zélia, teu poema trouxe-me uma saudade tão grande do tempo antigo...
Essas saudades matam a gente...
Um abraço fraterno. Tenha um bom feriado.

Cida disse...

T
Ã
O

L
I
N
D
O
!
!
!

:)

Tenha um maravilhoso feriado, Zélia querida.

Beijos,

Cid@

dade amorim disse...

Seus poemas melhoram a cada dia, Zélia querida. Este é lindo, as imagens perfeitas.

Beijo beijo.

MIRZE disse...

Que ritual, Zélia querida!

Cada palavra dentro do contexto é sagrada. A liturgia, torna-se linda, quando feita sob seu comando.

Beijos, amiga querida!

Um show de poema!

Mirze

Diana L. Ramos disse...

Que intensidade num só poema...saudades amiga!

Diana L. Ramos disse...

Zélia,vou aproveitar a oportunidade..Há tempos venho tentando escrever aqui e não consigo, na hora de publicar o comentário, pedem para que eu faça o login novamente e não completava..está explicada minha ausência nos comentários, mas não no blog, pois continuo sua fã de carteirinha heheheh.Beijoss

Vitor Chuva disse...

Olá, Zélia, amiga!

A mesa está lindamente posta, e ainda melhor servida, ainda que se sinta que algo lá falta, e que aqui nos é apenas sugerido ...
Bonito, como sempre.

Um abraço amigo; bom fim de semana.
Vitor

Lua Nova disse...

Vou dizer o quê, minha querida mestre e poetiza?
Ficam mais suportáveis determinadas tristezas da alma se enfeitadas por um ritual cotidiano belo e agradável. A liturgia que falta, a trazemos no fundo do coração e da memória.
Que maravilha voltar aqui, minha amiga!! Já me deliciei navegando em seu blog, mas jamais me sacio do teu talento.
Apesar de ter ficado um período afastada, jamais esqueci dos meus amigos.
Venha saborear um chocolate quente comigo, venha!
Beijokas.

Jorge Pimenta disse...

zélia, querida,
admirável esta tela onde conjugas, com sagrada ironia, o prosaísmo do quotidiano.
sobre peias e pássaros: nenhum baraço há-de suster o canto. assim viva a poesia, e com ela o poeta.
beijinho!

Guma Kimbanda disse...

Amiga e admirável poetisa.

Pelos vistos não faltou a liturgia
nessa mesa tão bem posta e à tua companhia.

Óptimo fim de semana, beijo e kandandos meus com muito carinho.

Adriana Karnal disse...

Zélia,
o ritual docafé da manhã é mesmo um evento. O café, o pão, aleitura do jornal...euadoro.