Minha lista de blogs

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PAI (porque hoje ele faria 92 anos)



Em dias
Distantes
[Anos cinquenta]
Apresentou-me
Tia Nastácia
Dona Benta
Falou-me
Das reinações
De Narizinho
E das reinações
Que se faziam
Em torno
De poços
De ouro negro

Contou-me
Fábulas
De lobo
E de cordeiro

Abriu as veias
Do mundo
E da América
E
Como dois Nemos
Mergulhamos
Nelas

Fez girar
O disco
No prato
Da vitrola
Para
Que o cantor
Cantasse
O mesmo
Que lhe ia
N'alma:
"Vinha vindo"
Um samba
Tão imenso
Que o próprio
Tempo
Pararia
Para ouvir
[Mas...
Cansado
De esperar
Olhou-me
Com bondade
Fechou
Os olhos
E se foi
Partiu}

*

Fizemos piqueniques
Brincamos carnavais
Vibramos em comícios
Lemos revistas
De guerra
Andamos de bicicleta
Colecionamos moedas

[Ai
Fomos pardais
Sem língua
Como no conto
Chinês]

Juntos
Fomos ver o mar
Num dia frio
E
Nevoento
De um mês de julho
Qualquer

Valeu, pai!

34 comentários:

Paulo Jorge Dumaresq disse...

Comovente, Zélia.
Lindo demais.
Sensibilidade à flor da pele.
Eu que o diga: "Valeu, Zélia".
Forte abraço, amiga.

Angélica Lins disse...

Deixou-me com olhos úmidos...
Belíssimo!

Mírian Mondon disse...

Querida Zelia,
Seu poema me fez chorar, me fez lembrar... felizes os que têm o amor como herança!

beijos com carinho, amo ler para dentro de voce

Zatonio disse...

Ah, minha amiga, morro de saudade do meu...lindo...lindo...lindo...valeu!!!

Dilmar Gomes disse...

Amiga, que bela homenagem!
Só mesmo alguém com grande sensibilidade poética é capaz de escrever versos tão lindos, os quais emocionam tanto a gente que já viu o pai partir para outro plano.
Um grande abraço, querida.

manuel marques disse...

Homenagem lindíssima.

Beijinos meus.

Lara Amaral disse...

Ah, que linda homenagem!

Beijo, querida.

Cris de Souza disse...

Emocionei-me...

Em muitas das suas passagens, me vi diante das minhas. Que saudade!

Um beijo comovido.

Úrsula Avner disse...

Olá querida autora,

bonita e comovente homenagem... Também tive a infância marcada pelas obras de Monteiro Lobato e recordo-me disso com alegria e saudades. Meu pai também já partiu e as saudades carrego comigo ... Bj.

Domingos Barroso disse...

Zélia,
tu me removes
delicadamente
lágrimas
e os cílios
tremem...

(tenho um garotão de oito anos
e estamos lendo juntos
"O Menino do Dedo Verde")

Terno abraço,
minha amiga.

(a tua alma encantadora
sinto-me elevado
ao te ouvir)

Cacá disse...

Ah, como eu queria ter uma filha assim! rsrs. Brincadeiras à parte, Zélia, como é emocionante e linda esta homenagem! Meu abraço. Paz e bem.

Giardia disse...

Boa noite!!!


Até sem graça por vc ter estado no meu blog, porque isso aqui é lindo!!

Nadine Granad disse...

Ah, Zélia!
Que poema mais lindo!...
Leve, verdadeiro, meigo, imagético!!!!

Adoro sua magia *-*

Beijos =)

Tania regina Contreiras disse...

Ah, Zélia...me emocionei aqui, que coisa tão linda! Saudades do meu também...
Beijos

Mirze Souza disse...

Emocionante, ZÉLIA!

O pai é uma âncora que nunca se vai. Lembro do meu todo tortinho pelo Mal de Parkinson, mas assim mesmo era a minha fortaleza.

Uma beleza esta homenagem!

Beijos, querida!

Mirze

contagotas disse...

Eles nos dão tanto e nos deixam sem aviso.

Abraço forte, amiga
MariaIvone

Fatima disse...

Eu pensava Zelia que com o tempo a dor diminuia, mas tem hora que parece que ela aumenta não é mesmo?
Bjs.

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Engraçado que a lembrança boa, doce e bem-vivida faz sorrir e não chorar... bjs mil, Zélia! Belo, terno e suave... gostei! ;)

Cida disse...

Meu pai também era de setembro (19).
Morreu tão novo, que não chegou a conhecer o meu segundo filho, que já nasceu orfão de avô.

Muito linda a homenagem que você prestou ao seu pai, amiga. Que história bonita você teve ao lado dele, que boas recordações ele te deixou!

Aceite o meu carinho.

Cid@

Pólen Radioativo disse...

Zélia, querida...
Quisera poder agora te dar um abraço [daqueles bem apertados] e que tu pudesses sentir a emoção que tomou-me com a leitura da tua poesia.

Coisa linda mesmo. De guardar pra sempre.

Beijo grande e um abraço.

José Carlos Brandão disse...

Zélia, um poema muito sensível. Dolorido. Mas também com muita felicidade.
Um grande abraço.

Daniel Hiver disse...

E meu pai que nunca leu nenhuma história e que acredito nem sabia da existência de Monteiro Lobato. Mas pelo menos, indiretamente, me ensinou a fazer arroz de carreteito e me deu de presente uma Olivetti Dora vermelha onde escrevi meus primeiros poemas.
Em meu blog, perto da data do dia dos pais do ano passado, tenho um poema: PAI que foi muito difícil de escrever. Mas quando escrevi as palavras me sairam os borbotões. Não vou deixar link aqui por que o propósito não é fazer propaganda do meu blog. Mas o que li aqui me fez pensar no meu pai e nas coisas que escrevi sobre ele.
Parabéns pelo teu pai e pelo teu jeito bonito de escrever.

Valéria Sorohan disse...

Zélia,

Que prazer estar aqui e comentar. Aliás, já estive aqui te visitando e te lendo, só não comentei.
Lindo este texto. É profundo, abrangente e sacode a poeira de mansinho. Muitas poeiras.

BeijooO*

Ana Martins disse...

Boa noite Zélia,
vim agradecer a visita e naturalmente conhecer o seu espaço. Aproveito para lhe dizer que o meu Álbum de recordações, não é bem um blogue, lá é onde eu guardo os mimos que me oferecem e que ofereço.

Tenho dois blogues, o Ave Sem Asas e Os Meus Trabalhos.

Falando agora do seu post, devo dizer que me deixou emocionada, também já não tenho Pai, mas lembro-me dele todos os dias.
O seu Pai, nesta altura, está felicíssimo com o amor que a Zélia ainda faz questão de lhe dar.

Beijinhos,
Ana Martins

AFRICA EM POESIA disse...

ZELIA
Linda homenagem...

Quase sem tempo ...
Ando a correr...
preparo novo livro de poesia...
Deixo um beijo...

E deixo as minhas notas soltas...


NOTAS SOLTAS



Notas muitas notas...
Soltas e não só...
E eu, vou tomando notas...
Para um dia poder recordar...

Tomo notas, do céu e da terra...
Da lua e das estrelas...
E vou tomando notas...

Com o coração a bater...
E com o sentir da vida...
Do mundo e de ti...
E continuo a tomar notas...

E nestas notas, escritas por mim
Eu escrevo também para ti...
E debruço-me sobre os meus braços
E... continuo... a tomar notas!...

LILI LARANJO

Jorge Pimenta disse...

zélia, amiga,
a paternidade e a maternidade misturam-se com a memória. recordá-los é tê-los vivos para lá da apócrifa eternidade.
uma saudação para o pai (onde quer que esteja) e um beijinho para a filha!

Zélia Guardiano disse...

Oh, Jorge, meu querido
Tens a palavra certa para cada situação, para cada evento, para cada sentimento...
És demais, amigo!
Abraço apertado.

Zélia Guardiano disse...

Meus queridíssimos amigos
Paulo Jorge, Angélica, Mírian, Zatonio, Dilmar, Manoel, Lara, Cris, Úrsula, Domingos, Cacá, Giardia, Nadine, Tania Regina, Mirze, MariaIvone, Fatima, Francisco, Cida, Pólen Radioativo, José Carlos, Daniel, Valéria, Ana, Lili e Jorge
Deixo aqui a minha profunda gratidão pela visita e comentário de cada um, que li com o maior carinho e sob enorme emoção!
Abraço bem apertado a todos...

Eurico disse...

Que maravilha de homenagem!
E como é importante ser um pai atento e dedicado.
Lição pra mim.
Espero estar fazendo algo parecido para os meus filhos...rs
Esforço-me.


Abraço fraterno.

Gerana Damulakis disse...

Ele continua vivo dentro de você, nos versos desse poema.

Helô disse...

Ai Mãe, que coisa linda!!! Infelizmente não conheci o Vô Jairo, mas tenho certeza do maravilhoso avô que ele seria para mim. Eu o amo através do seu amor, como se tivéssemos tido muito contato e vivido muitas aventuras!! Toda vez que vejo um pé bem branquinho, fico lembrando do que a senhora sempre dizia dos pés dale. Amei sua poesia, realmente muito marcante e emocionante!! Te amo muito mãe!! Beijooooss!!

Zélia Guardiano disse...

Oh, Gerana querida
Penso que tens razão: ele vive, sim!
Que pai maravilhoso foi o meu...
Grata, querida, por tuas palavras...
Imenso abraço preenchido de carinho.

Zélia Guardiano disse...

Helô, minha querida filha!
Acho maravilhoso o fato de você amar tanto assim o avô, mesmo que não o tenha conhecido...
Mas, pensando bem, conheceu sim: falamos tanto sobre ele, não é mesmo? O homem de pés branquinhos... Você não esqueceu! Fico muito feliz por isso, meu amor!
Gostaria de ser tão boa mãe para você, como ele foi bom pai para mim...
Milhões de beijos, minha querida, e todo o meu coração para você!

Lua Nova disse...

Muito lindo e emocionante. Que grande dádiva ter na lembrança um pai amoroso que nos amava e a quem amaremos eternamente. Trago meu pai dentro de mim como meu super herói preferido e ao qual recorro quando a vida me assusta... até hoje.
Uma linda homenagem, cara Zélia.
Beijokas.