
Abro
[Par em par]
As janelas
Voltadas
Para o meu
Interior
Debruço-me
Numa delas
[Ai
Horror]:
Nenhuma
Flor
Terreno
Crestado
Ressequido
Com
Enorme
Fenda
Através
Da qual
[Aqui
Ali]
Insurge
Um cacto
De minguada
Carne
De farto
Espinho
[Adivinho
O suplício
Que oferece
Ao tacto
E
Incontinenti
Vem-me
À mente
A imagem
De
Uma coroa]
O céu
É mar
De chumbo:
Pesada
Nuvem
Negra
Vaga
À-toa
Companhia
Ideal
Para
Agourenta
Harpia
Que
Voa
Voa
E
Cansada
Pousa no
Esqueleto
Aflito
De uma
Sequóia
[Último
Resquício
De extinta
Flora]
De cujos
Braços
Pendem
Teias
Pegajosas
Há
Sim
[Ao longe]
Largo
E
Caudaloso
Rio
[Galera
Em ruína
Singra]
Mas
Fustiga-me
A verdade
Dura:
O seu leito
Sangra
Bem-te-vi
Bem-te-vi
Bem-te-vi
Ufa!
Ainda bem
[Agora
Quero
Satsanga]
46 comentários:
Zélia, querida, fantástica a sua habilidade descritiva, uma quase-pintura. Engenho, inventividade, nossa!...tenho aprendido um tanto de coisas lendo você, que com o tempo vou expressando. "Pesadelo" é uma tela arrebatadora.
Beijos,
Tânia
Quando das nossas fendas não ressurge sequer flor, alcançando-nos o pesadelo, acordar é um martírio.
Intenso poema, vc sabe o que diz, e sabe bem como fazê-lo de forma que nos capta, Zélia.
Beijos.
dia pesado qual chumbo no dorso, mas há a bonança depois da tempestade.
E ainda bem que tudo não passou de um pesadelo, não é, querida amiga?...:)
Lindo como sempre! (E é por isso que sou sua fã)
E que por agora seu céu esteja muito azul, e que haja luz em seu coração.
Beijo grande
Cid@
Um belo panaroma poético, de quem se dispõe a abrir as janelas , e cantar o mundo vivo lá de fora. Haverá sempre um ícone clamando pelo verso. Belo post !
cuando abrimos
las ventanas
de nuestro interior...
pueden volar
monstruos
o
mariposas
mil besos*
Lindo...
como você...
faz das palavras
soltas
em linhas
frases
que
conversam...
"...Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
Sem nos dar braços para os alcançar?!..."
Lindo né...é Florbela Espanca...
Que flutua no meu blog...
E espera por você...
Beijos...
Leca...
Pra quem não viveu do pesadelo a agonia,
Se encanta com a beleza da poesia...
Minha linda...
Hoje andei por aqui colhendo algumas lindas palavras, que aqui é só o que tem, para levar feito um buque lá pro blog branco...
Beijos.
Ah!!!!!!!!!!!!!!!!
Eu tb quero!
Bjs.
parabéns pelo poema intenso e aparentemente simples.
desculpe a minha ignorância, mas o que é "Satsanga"? Poderia ir procurar , mas estou sem tempo:S e é termo que desconheço.
beijo
Zélia:
Ah, lágrimas no olhos... estou em meu próprio pesadelo!...
É tão mais gostoso ler com a alma leve!... Mas densa, assim-assim digo: que belo e que bem-te-vi bendito!!!
Beijos =) Abraços não cabem mais... versos íntimos ;)
Um poema perfeito, que diz o que se propõe a dizer da melhor maneira e ainda por cima nos envolve por completo.
beijo beijo
Zélia, a sua visita ao meu blog é sempre muito apreciada e por sua vez espicaça a curiosidade para visitar o seu... Como sempre é um prazer o seu blog cheio de poesia e imagens fortes. Obrigada
Apesar das imagens descritas nesse belo poema, posso dizer que o mais difícil sempre é ter coragem de abrir as tais janelas voltadas para nosso interior.
Lindo!
Zélia,
tuas palavras são melodias para os olhos e ouvidos, soam canções. quando se permite abrir as janelas da vida, tantas flores surgem e tanta fenda ressurge. trazendo para cá a memória musical, deixo este refrão do Caê
Deixa o mar ferver
Deixa o sol despencar
Deixa o coração bater se despedaçar
Chora depois mais agora deixa sangrar
Deixa o carnaval passar
Um grande beijo,
Olá Zélia!
Felizmente que foi só e apenas isso - um pesadelo: Também não poderia ter sido outra coisa...
Lindamente escrito; profundo e levezinho ao mesmo tempo.
Abraço amigo.
vitor
zélia, querida amiga, abrir as janelas, de par em par, para o interior é um acto contra-natura, porque estas fazem o seu movimento para o exterior. nesse sentido, é um acto volitivo e intencional, o que sugere que, quando perpetrado, haja uma motivação forte para o fazermos. no meu caso, apenas o medo do que lá se venha a encontrar, numa denúncia reclamada pela inabilidade de saber tocar o exterior - o espaço para o qual abrimos espontaneamente as janelas e projectamos o olhar.
inevitáveis os pesadelos, portanto. ainda assim, estou seguro de que só passando por um exercício de auto-regulação emocional seremos capazes de vencer os fantasmas nocturnos e devolver as flores à charneca interior.
tocaste-me especialmente com este texto, querida amiga!
um beijo!
ADMIRO IMENSO ESSA CAPACIDADE NATA DE NUMA PALAVRA TER TUDO DENTRO DELA...O SIGNIFICANTE E O SIGNIFICADO...A TU ESCRITA REMETE-ME PARA ÁGUA A DESCER APRESSADA OS DEGRAUS DE UMA CASCATA...NÃO ERA PARA RIMAR MAS RIMOU...
QUANDO NOS DEBRUÇAMOS PARA O INTERIOR ...É COMPLICADO, HÁ QUE ARRANJAR CORAGEM PARA OLHAR O JARDIM E NÃO ENCONTRAR UMA FLOR QUE SEJA...E QUE FAZER SE O TERRENO É INFÉRTIL?
E O CÉU ESTÁ PESADO E ESCURO
...A VERDADE ÀS VEZES DÓI MUITO..MAS EIS QUE SURGE UM BEM-TE VI...UM PÁSSARO...SERÁ UM BOM PRESSÁGIO?
ESPERO SINCERAMENTE QUE SIM
BEIJINHOS E BOA NOITE
plasticidade e beleza, a caminho de dizer encantamento.
Janela aberta para dentro do si.
Tempo fechado, flores ressequidas, cactos.
Um deserto, onde não se cresce, morre.
Doravante o vento ressurge, espassa as nuvens e abrirá o tempo.
As flores haverão de se abrir, entre espinhos a sorrir, a essência de suas horas, onde o perfume virá de ti.
Zélia, tua profundidade é extrema
entre agitos ou sorrisos.
O mais importantes é desanuviar
a tela que inibe teus olhos, para aplaudir
os encantos...
Acorda. Vai passar. Foi apenas um pesadelo...
Gosto daqui minha amiga,
como gosto de você.
bjs
Livinha
Vim aqui pela primeira vez e... fiquei encantado (com pesadelo e tudo)!
Vou acompanhar com prazer.
Bjs
Oi Zélia, e quem não vive pesadelos como este ? Só quem não reflete sobre si mesmo... Poema intenso, forte, numa temática existencial profunda e bela... Bj,
Úrsula
Ah... como a tua poesia me toca, Zélia. Um universo tão próximo do meu. beijo, querida.
Continuo em estado de encantamento perante sua poesia, nenhum pesadelo me afasta!
Bom fim-de-semana
Bjos
Zélia, depois de tanto que já te foi dito, vou dizer apenas assim:
Ufa!! que adentrei essa janela e quase me perdi, encantada que estava pelas palavras a me guiar...
lindo, intenso, denso
beijos, querida!
Zélia,
Abrir janelas para o próprio interior exige uma boa dose de coragem para admitir tudo o que alí se pode encontrar: o belo, o feio e todo o degradê que há entre estas extremidades.
Satsanga me parece algo distante enquanto realidade, mas muito próximo enquanto busca universal.
Belo poema.
Beijo grande,
Ivan Bueno
blog: Empirismo Vernacular
www.eng-ivanbueno.blogspot.com
Ah, esses barulhentos bem-te-vis!...
Parece até que nos vêem, atentam-nos para o dia, para luz do lado de fora, e levam-nos a reconhecer-nos em busca de nossa própria natureza e do respirar do mundo.
"O céu
É mar
De chumbo:"
Essa frase me impactou! assim como teu poema inteiro... profundo!
beijos queridíssima!
*
Dantescas palavras,
gostei,
,
no meu suplicio
debruço-me,
sobre os espinhos
sem cactos,
água reprimida
nos cardos das dunas,
,
Conchinhas,
,
*
Obrigada, Tania querida!
Suas palavras são mais do que importantes para mim...
Enorme abraço!
Obrigada, Larinha!
Você, aqui, é sempre uma alegria imensa!
Beijo
Isso mesmo, Ribeiro querido!
Depois da tempestade, a bonança... Ainda bem!
Enorme abraço!
Cida querida
Grata pela visita, pelo comentário e pelos votos...
Beijo, amiga, carregado de gratidão
Ivancezar amigo
É preciso abrir as janelas de vez em quando, pelo menos...
Grata pela visita!
Abraço
Rayuela querida
Nunca se sabe o que pode sair voando por essas janelas... Tens razão!
Mil besos, minha amiga!
Leca, minha amiga
Que bom que gostaste dos versinhos...
Fico muito feliz!
Beijo, querida!
Querida Lua Nova
Se levas daqui um buquê como dizes, também deixas lindas flores...
Muito grata, amiga!
Beijo
Obrigada, Fátima querida!
Mil vezes obrigada!
Beijo, amiga!
Querida Nadine
Muito grata por todos esse carinho que me trazes...
Grande abraço, minha querida!
E beijo...
Dade, querida!
Muito lhe agradeço pelas suas palavras , que têm pra mim um enorme peso...
Beijo, amiga
Beatriz
Sou muito feliz quando visito teu blog, tanto quanto o sou quando vens aqui...
Acho maravilhosa essa troca!
Grata!
Enorme abraço
Rodrigo, meu querido
Realmente não é fácil abrir as tais janelas, mas faz-se mister...
Grata, amigo, pela visita!
Grande abraço
Estou ficando cada vez mais sua fã. Um poema, uma pintura!
Nossa! Que intensidade de sentimentos...forte.Poético.
Parabéns zélia.Lindo
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