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domingo, 16 de janeiro de 2011

Cansaço do tempo


O tempo
Não aguenta
Mais:
Está exausto
[Confidenciou-me]
De tantos
Séculos
Milênios
Eras

Deveras
Cansado
De ver
Túnicas
Manchadas
De sangue

De ouvir
Palavras
Vãs
Vazias

De falar
[Inutilmente]
Ao vento

De esperar
Por momento
Em que se
Cumpram
Profecias

Em que se abra
A porta
[Que ninguém
Poderá
Jamais
Fechar]
E apareça
Aquele
Que tem
O peito
Cingido
Por cinto
De ouro
Os olhos
De fogo
E
Empunha
Afiada
Espada
De
Dois
Gumes
[Instrumental
De
Estigma]

Aquele
Cuja mão
Segura
Sete
Estrelas
E
As chaves
Da morte
[Magno
Enigma]

Que traz
O livro
Escrito
Por dentro
E
Por fora
Lacrado
Com sete
Selos
[Uma vez
Rompidos
Revelarão
Destinos]

E
Um
Anjo
[Arco-íris
Em torno
Da cabeça]
Com sua
Trombeta
De
Anúncio:
A salvação
O poder
A realeza
Do
Bem

O tempo
[Realmente]
Carece
De
Descanso
E
Sua
Confidente
Também...

38 comentários:

Lúcia Soares disse...

Zélia, você é uma maestrina, conduzindo as palavras.
Bj

Leonardo B. disse...

[Estava há pouco a rever um texto, que não posso deixar de partilhar uma pequena parte, do tempo:

"Aguardo apenas o fim das novenas para abandonar o meu exílio que não me exijo perpetuar. Deixarei este nevoeiro cumprir os seus dias para que os meus passos possam cumprir o seu. Há muito que o aguardo, em silêncio, que esse caminho fique livre da geada, esse silêncio que já não conta, já não faz parte dos murmúrios que o teu chão traz, no tempo, dentro do tempo, dentro do intento de corpo..."

... esse tempo!]

Abracimenso, Amiga Zélia

Leonardo B.

Domingos Barroso disse...

um poema supremo,
supremo
...

carinhoso abraço,
elevada poetisa
minha amiga

...

Priscila Rôde disse...

O tempo passeou tão rápido que carece mesmo de descanso, Zélia. Um beijo.

Márcio Ahimsa disse...

o tempo é uma pétala
de rosa, branco como os dias,
verde como a espera.
agora, o tempo é uma senhora
de cabelos prateados
como a lua sorrindo,
com um olhar ainda
vivo, e de tanto sol
e de demora,
a pele toda enrugada
em sinal de muito caminho
e história que não se acaba.
esse tempo não tem fim,
nem mesmo quando o fim
chega cedo demais...

Magnolia disse...

E podemos parar os relógios mas não o tempo...

Beijo Zélia senhora tão doce e amável

Cacá - José Cláudio disse...

Mesmo sabendo da cansativa peregrinação do tempo, so peço a ele que não a exima de continuar sendo sua mensageira de poesias tão lindas. Abração, Zélia. Paz e bem.

Manuela Freitas disse...

Excelente poema querida Zélia!
O tempo para mim é uma máquina infernal, que nem me dá tempo, para respirar fundo, para continuar no seu ritmo!
Beijos,
Manu

Dilmar Gomes disse...

Olá querida amiga, excelente poema, como sempre são os seus poemas.
Um grande abraço.

Ingrid disse...

Zélia,
e o tempo se esvai entre os dedos,cançado de tentar por ali ficar a ver se algo muda..
beijos encantados com tuas palavras.

Luciana Marinho disse...

que belo, zélia!
do ritmo às imagens.. dilacera.

beijo.

olhodopombo disse...

Zelia
quando a cidade em que moro perde o encanto, meus pes coçam e me mando para outra....

Tania regina Contreiras disse...

Eta que coisa bem dita, bendita...eta, Zélia que eu gosto mesmo desse teu estilo, desse tewu sentir, menina! Ah, o tempo!!!!
beijos

olhodopombo disse...

Zelia,
deve ser meu sangue nomade.
Sempre que chego num lugar penso:"é aqui que vou fincar os pés..." mas ate agora meus pés não grudaram nas terras.

Tuca Zamagna disse...

Maravilha, Zélia!

(E mais não digo, pra deixar em paz o tempo e sua confidente.)

Abraços

vitorchuvashortstories disse...

Olá, Zelia, amiga!

Como é fácil compreender o desabafo do tempo!
Ninguém como ele tanto tempo por aqui andou...
Não admira,pois,que não tenha gostado de muito do que viu,
durante todo o tempo que por aqui passou...!

O tempo como testemunha universal e omnipresente; belíssima imagem, linda criatividade, bonito texto!

Abraço amigo; boa semana!
Vitor.

Assis Freitas disse...

tempo, tempo, tempo
aprisionado na palavra,

abraço

Jefferson Bessa disse...

O tempo que cansa por algo acrescentado a ele mesmo. Mas sabemos ouvi-lo e sabemos que passa sempre...
Um abraço, Zelia!

Rayuela disse...

Zélia, maestra de las palabras, es siempre un placer leerte! (puedo descansar con tus versos...)

mil besos*

André disse...

Bom dia, querida Zélia!

vejo-te, pois, em confidente do Tempo, esse mesmo Tempo que fala ao vento (lembrou-me Érico Veríssimo) e que espera o Apocalipse que marcará o seu fim. Texto que o que tem de profundo tem de belo, mesmo que, de algum modo, seja um desabafo. Faz-nos refletir, certamente.

Meus parabéns, Zélia, um grande abraço, boa semana.

André

Osvaldo disse...

Zélia;

Este poema exprime um sentimento de vingança...

Dá mêdo... mas é lindo.
bjs.
Osvaldo

ValeriaC disse...

Maravilhosooooo...
Querida, vou ser repetitiva, mas realmente adoro seu jeito de escrever... te admiro muito...
Doce semana...beijinhos
Valéria

Paulo Jorge Dumaresq disse...

Querida amiga, poema espetacular.
Só você para dar essa feição poética ao tempo.
Parabéns e não se canse nunca de nos extasiar com seus poemas fantásticos.
Fortíssimo abraço.

Fernando Campanella disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando Campanella disse...

Que beleza de poema, Zélia, a referência ao Apocalipse e personificação do tempo. Sim, o tempo nos faz essas confidências amargas, às vezes, parece um velho já cansado de fatos e estórias... Mas ele se renova, amanhã já é outro, e vai nos dizer das maravilhas de se ser.
Abração, querida amiga.

Pâmela Grassi disse...

Zélia,

Tempo extenso que aqui não comento. Tuas palavras lembraram da Lavoura Arcaica
, do Raduan Nassar. "O tempo, o tempo é versátil, o tempo faz diabruras, o tempo brincava comigo, o tempo se espreguiçava provocadoramente."

Beijos,

Diana L. Ramos disse...

O Tempo ,Senhor dos senhores na nossa sociedade hoje, também se cansa como cansados estamos todos nós de tantas coisas anunciadas , previstas, esperadas...Tantas promessas quebradas!
Entendo a metáfora, também estou muito cansada.
Beijos minha amiga

Jorge Pimenta disse...

belíssimo, zelita. está aqui, neste texto, toda a estética da decepção, da anulação, do adiamento, da eterna e indefinida espera... do ser.
um abraço e um sorriso!

Cida disse...

Lindo demais, amiga! :)

Zélia, o tempo carece de descanso, porque anda correndo demais!...rs
Por exemplo: eu faço a medida da minha semana, pela missa das 18 horas, que eu vou aos domingos.
Então... ele anda voando tanto, que eu já tenho a impressão que estou indo à missa um dia sim, outro não...Já é domingo outra vez??? Não é possível!...rsrsrs

Beijão pra você menina.

Te cuida, viu?

Cid@

A. Reiffer disse...

Excelente, Zélia, poema de altíssima qualidade, cheio de ritmo, força e melancolia. Abraços

Mirze Souza disse...

MARAVILHOSO, Zélia!

Quase que o Apocalipse se encontra neste tempo já cansado. Também ando cansada do Tempo.

Só você, poetisa!

Beijos!

Mirze

Lara Amaral disse...

Eu não queria estar no lugar do tempo: algumas pessoas querem que ele pare; outras, que ele voe... complicado, rs...

Beijo, querida!

Jacinta Dantas disse...

Ah, o tempo!
tempo de tantos sentimentos, de tantos fatos.
E pensar que o tempo é agora...
E pensar que o tempo tem suas mil faces...
E pensar que o tempo é soberano

E saber que estou participando, um pouquinho, do seu tempo, enquanto agora leio seu belo poema.

Toninhobira disse...

Se o tempo tem tanto tempo, eu vou suplicar ao tempo,que me dê o tempo para sempre poder ler estas belas poesias que saem deste encanto que voce tem sobre as palavras, na criação de emoçoes tao belas.Lindo demais Zelia.É preciso uma canção para ler e reler.Meu abraço.beijo de luz nos seus dias de inspiração.

Eliane Furtado disse...

Tudo carece de descanso. Mas nunca respeitamos esta doce palavra.
Obrigada pelo apoio e presença. Um beijo.

Livinha disse...

Alma viajante essa, sai e volta com suas indagações e confabula as juras que o corpo devora de suas emanações.
Sai sem respeitar as leis do tempo, sempre apressada, e volta escusa, ainda cheinha de duvida...

Zelia, como gosto de te ler, aplaudir essas tuas letras tão prontas trazendo boas reflexões...

Saudades de tu minha amiga

Bjs

Livinha

Paulo Vitor Cruz disse...

q o tempo descanse e q nos falte(sobre) mais tempo...

abraço grande.

J. disse...

Bem disse Pedro que um dia para o Senhor é como mil anos e mil anos como um dia...