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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Louça do café da manhã


Enquanto
Lavo
A louça
Canto
Um mantra
Recito
Um haikai
Entôo
Uma ladaínha
Tento
Decifrar
Um koan
[Louça
Do café
Da manhã]

Repito
Jaculatória
[Busco
Indulgência
Plenária]:
Jesus
Maria
E
José
Protegei-me
Amém

Estou
Muito além
Do
Limite
E
Aquém
De todo
E qualquer
Lugar:
Preciso
Voar

O dia
Me chama:
Traço
Roteiro
Extenso
Sem fim
[Desnecessário
O check-in]
Embarco
Sem mala
Sem nada
Nem
Bagagem
De mão
[Para que
Avião?
Tenho asas]

Reviro
A
Ásia:
China
Tibete
Butão
Nepal
Afeganistão...

Pequim
Dragão
Muralha
Gruta
De Mogao

Lhasa
Palácio
De Potala
[Montanha
Vermelha]
Oceano
De
Sabedoria:
Dalai Lama

Tinfú
Mosteiros
Vales
Férteis
Florestas
De
Duar

Katmandú
Cordilheira
Do
Himalaia
Monte
Everest
Lumbini
[Terra
Natal
De
Sakiamuni]

Cabul
Patanes
Tadjiques
Hazarás
Uzbeques
Meninos
E
Pipas

[Ai
Quebrei
Uma
Xícara:
O caco
Rasgou
Minha luva
Feriu-me
A mão

Agora...
Antisséptico
Algodão

(Na próxima
Vez
Vou
A Roma:
Vejo
O Papa)]

29 comentários:

AC disse...

O que a poetisa não faz para tornar o seu dia mais apetecível!
Espero que a mão esteja bem rsrs

beijo :)

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Tava comentando, o texto sumiu e agora voltou rs... queria saber o que é um koan... :)

Belíssimo como sempre, Zélia. O que mais me atiça e mexe comigo ao ler teus escritos é a cadência musical inconfundível e o universo de referências que me remete a um co-respectivo universo de imagens. Seu texto soa quase como advinhação, como coisa de cigana-bruxa-pitonisa-vestal que é poeta e é mulher e tem um dom que o olhar masculino não penetra, mas sente seus efeitos, onde o que se lê nos transporta para lugares bem mais distantes...

Ribeiro Pedreira disse...

voar é o teu talento, a tua diversão. embarco contigo em cada decolagem e não sinto as turbulências.
bjs!!!

Lara Amaral disse...

Sortudas dessas louças que ouvem seus cantos, imagino até os talheres prestando atenção aos seus versos.

Beijos, linda!

manuel marques disse...

assim até eu gostava de ser colher ,chavena ou o que tu quiser.

Beijinho minha querida.

Dilmar Gomes disse...

Querida, que bela viagem através deste poema melódico!
Poesia é isso; é transmutar a realidade sem se perder no beco que as palavras, às vezes, podem nos levar.
Fico a imaginar você lavando louça: "um poema"
Um grande abraço.

Lua Nova disse...

rsrrsr... poesia do impossível é só pra quem pode... Cortou mesmo ou foi "licença poética"?
Espero que não a impeça de continuar nos encantando com sua poesia. Se precisar, vc dita e eu escrevo... rsrsrrsrs
Minha poetisa do coração, tem palavras tuas no Blog branco.
Passe lá, sim?
Beijos.

http://empoucaspalavrasalheias.blogspot.com/

Osvaldo disse...

Zélia;
Que maravilhoso roteiro turistico...
Deve ser maravilhoso conhecer tantos lugares lindos, não é?...

Ah,... já fui vezes sem conta a Roma e nunca vi o Papa e acabei por vê-lo em Maio passado em Portugal...
Por vezes nem todos os caminhos nos levam a Roma, não é?...

beijinhos, Zélia.
Osvaldo

Constança Lucas disse...

é por isso que adoro desenhar xícaras, elas são o próprio sonho :)

legal!! suas viagens poéticas

abraços
Constança

Constança Lucas disse...

o link aqui do lado o do blog books não funciona d~e uma olhada pra podermos votar :)

Helô disse...

Mãeee...só a senhora mesmo para criar um belo poema tirado do seu "amor por lavar louças".rs! Amei!! Só para relaxar: Reinventemos o AA nesse momento, use o mantra "só por hoje lavarei louças, só por hoje"...acho que ficará mais fácil, né??Te amooo muito...beijos!!

Ana Cavalcantti disse...

xiiii...meu amor pela louça é tão grande que nesse caso prefiro os "descartáveis" rs !
Com certeza na próxima louça lembrarei de vc ...não tenho talento pra poesias ...mas seria um boa ir a Roma !
Beijooosss

Luciana Marinho disse...

rasgou-se a luva para as borboletas voarem da mão... muito lindo, zélia. beijoca!

Domingos Barroso disse...

O descuido de toda Sacerdotisa
é solo fértil: o sangue da mão
mais vermelho
e a imaginação febril.

Carinhoso abraço.

Jorge Pimenta disse...

a luz é o combustível destas viagens (as sombras para que servem senão mesmo para nos dizerem como é bom fruir da luz?); as asas o meio; a felicidade o destino. aqui, na ásia ou em qualquer lugar.
partam-se todos os cacos e soltemos a voz!
um beijinho, amiga-pássaro!

Gerana Damulakis disse...

Poeta é assim mesmo. Gostei muito, Z. Bjinho.

Leca disse...

Flutuei até aqui para...
agradecer...
a sua presença...
em meu Nat King Cole...
Beijos...musicais...
Leca

Tania regina Contreiras disse...

Só você mesmo, Zélia, pra nos levar ao mundo enquanto a água corre sobre a louça. Asas? São largas, belas e leves essas suas.
Beijo, querida

Cida disse...

Foi quase como um acalanto com poder hipnótico, e ao final, tal qual uma criança, senti meus olhos pesando, enquanto ouvia um rufar de asas...

Só você mesmo Zélia!...:)

Depois dessa, lavar a louça na lava-louças, não vai ter mais a menor graça!...rs

Beijão

Cid@

Flávio Morgado disse...

Muito bacana. Gosto de passear pelos blogs e ver isso: poemas sobre a simplicidade, por exemplo. Confesso que não tenho mais paciência para "intimismos". E tudo tem sua poesia, e da louça, você não a tirou. Está muito legal!

F.M.

Rodrigo Braga disse...

Maravilhoso! O tudo está onde? Lendo o poema cheio de dança, graça e aventura nos faz preplicar a frase do Padre na capela:

"Ele está no meio de nós"!

Assis Freitas disse...

Que viagem, vou lavar uns pratinhos prá ver se divago assim, rs,rs,


abraço

Rayuela disse...

qué música,Zélia!
tus
palabras
versos
son
música!

te acompaño en el viaje!lavemos la loza sin cortarnos!

mil besos,mi poeta musical*

onzepalavras.com disse...

Zélia, a oferta de literatura na internet é proporcional à falta de qualidade, mas sobretudo falta de elegância. Passei a seguir o seu blog, porque o conteúdo é muito elegante, muito convidativo.

Obrigada por me acolher no seu espaço. Você também é muito bem vinda no onzepalavras.

Um grande abraço de sua nova leitora.

Paulo Jorge Dumaresq disse...

Delícia de poema, Zélia.
O seu fino bom humor acrescentou
leveza ao texto.
A leveza de uma borboleta.
Parabéns e ótimo fim de semana, querida amiga.

Marta disse...

Um poema cheio de ritmo, leve....
Gostei imenso...
Beijos e abraços
Marta

ju rigoni disse...

Uma delícia mergulhar no cotidiano desses versos, plenos de reflexão, rítmo, música, - poesia.

"O dia
Me chama:
Traço
Roteiro
Extenso
Sem fim
[Desnecessário
O check-in]
Embarco
Sem mala
Sem nada
Nem
Bagagem
De mão
[Para que
Avião?
Tenho asas]"

Ô Zélia, que coisa mais linda e certeira!

Bjs, poeta, e inté!

Guilherme Canedo disse...

Olá Zélia,

Belo texto... Senti a simplicidade e a melodia dos seus dias... que acordes, um "concerto" na mão!

beijos

poetaeusou . . . disse...

*
fiquei asado
com as tuas palavras,
e saio alado
com a licão de geografia !
,
conchinhas,
*