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terça-feira, 31 de agosto de 2010

O silêncio



Vem
O silêncio:
Apontou
Por detrás
Do muro
Da esquina
[Fico
Tensa
Aflita
Quando
Se aproxima]

É sempre
Assim:
Aparece
No cinzento
Dos dias
[Certamente
Depois
De longas
Travessias]

Dá-se
Com ele
Fato
Curioso:
Não se
Mostra
Vazio
Ainda
Sendo
Abismo
[Preenchem-no
Palavras
Que perderam
O sentido
Que perderam
O equilíbrio
Escorregaram
E lhe
Caíram
Dentro]

De sorte
Que
[Não raro]
Chega
Carregado
De choro
E
De ranger
De dentes
[Uma vez
Na vida
Outra
Na morte
Traz
Também
Um lazzo...]

Dissimulado
Sarcástico
Ferino
Finge ser
Lacônico
Quando
Em verdade
É eloquente:
Consegue
[Sempre
Que decide]
Através
De longos
Pronunciamentos
Desestabilizar
A gente

[Persona
Non grata:
De pacífica
Tem só
As feições
E o jeito
De caminhar]

62 comentários:

Lua Nova disse...

Acho que jamais tive diante dos olhos uma descrição tão justa do silêncio. Tua capacidade de dizer as coisas me emociona e sempre, sempre me espanta. Bravo!Um poema admirável.
Beijos desta tua fã incondicional.

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Silêncio diz.sim.o.lado sim.zen.tu...

Fala e não te cales, Zélia, que é belo! ;)

Lua Nova disse...

Ah! Esqueci de dizer... a imagem é perfeita!!!
Acho que entendi perfeitamente o sentimento. Minha mente fica assim tantas vezes...
Beijos.

Fatima disse...

Sabe Zelia,
ultimamente ando aprendendo a conviver com estas visitas e hoje a gente até já se cumprimenta.
Bjs.

Paulo Jorge Dumaresq disse...

Zélia querida, o silêncio é a forma mais nobre de comunicação.
Deleite o seu blog.
Abração.

Tania regina Contreiras disse...

Que beleza isso, Zélia, o silêncio preenchido por palavras em vertigem, zonzas, rodopiantes: belo demais, querida amiga...
Beijos,

Assis Freitas disse...

sobre o silencio me calo, emudeço


abraço

Zélia Guardiano disse...

Lua Nova, minha querida!
Eu, sim, fico emocionada com suas palavras!
Você não pode imaginar a importância que tem, para mim, o seu parecer...
Grata, minha amiga, pela visita e pela aprovação do meu modesto trabalho!
Imenso abraço e beijinhos

Zélia Guardiano disse...

Francisco, amigo querido, grande poeta!
Sua visita é festa, aqui...
Suas palavras, bênção...
Muito, muito grata!!!
Enorme abraço...

Zélia Guardiano disse...

Boa, Fatima!!!
O jeito é a gente contornar a situação...
Que fazer, né?
Rsrsrsrsrs...
Abração, querida!!!

Zélia Guardiano disse...

Querido Paulo Jorge
É verdade o que você diz...
Como ele fala!!!
Mais do que eu, que sou verdadeira matraca...rsrsrs...
Grata, meu grande poeta e amigo, pela visita e pelas palvras amáveis!!!
Abração...

Zélia Guardiano disse...

Tania, minha querida amiga
Beleza é sua visita e sua generosidade desmedida no comentário tecido...
Você é demais...
Grata, minha linda!
Enorme abraço e beijinhos...

Mai disse...

O silêncio é cheio, é prenhe de sons e signos. Muito bom!
bj

Zélia Guardiano disse...

Oh, Assis, meu querido amigo, meu grande poeta!
Que bom tê-lo aqui, ainda que em silêncio... Sabemos que ele fala tão alto!
Muito grata!!!
Abraço enorme...

Zélia Guardiano disse...

Querida amiga Mai
Sua visita e seu comentário deixam-me radiante!!!
Fico muito feliz sempre que você vem...
Grata, minha linda!
Beijo!

manuel marques disse...

passei para deixar beijos meus.

Vitor Chuva disse...

Olá Zelia!

Texto de refinada subtileza e ironia, este.O que aparentemente é contraditório, palavras e silêncio, é muitas vezes sinónimo e a mesma coisa.O silêncio é muitas vezes um vazio, mas as palavras que lá cabem, essas conhecêmo-las nós,têmo-las na nossa mão, e então não resistimos à tentação de preenchê-lo ...

Repetindo-me, digo: está lindamente escrito.
Um abraço amigo.
Vitor

Zélia Guardiano disse...

Obrigada pela lembrança, querido amigo Manuel!
Grande abraço...

Zélia Guardiano disse...

Oh, Vitor, amigo querido
Interessantíssimo o seu comentário... Não resistimos ao estado de silêncio e, com nossas próprias mãos, nós o enchemos de palavras...
Adorei sua visita e seu comentário!
Fico-lhe muito grata!!!
Imenso abraço!!!

Andrea de Godoy Neto disse...

Brilhante, Zélia, querida!
E os sons que habitam este silêncio é o que tantos tentam desesperadamente não ouvir.

beijo grande, amiga poeta!

Marcantonio disse...

Expressivo jogo de antinomias, Zélia. Dizem que, no fundo, ele não existe. A bem da verdade, não deveria haver palavra para defini-lo, pois se falo 'silêncio', já o despeço. Humm, o que estou dizendo? Por que não fico em silêncio?

Grande abraço, Zélia!

P.S. Essa imagem que ilustra o post é cheia de ruídos

Zélia Guardiano disse...

Andrea querida
Tens toda razão: tentamos fazer ouvidos moucos...rs... Porém, em vão: o silêncio é de uma verborragia... rs...
Adorei sua visita e seu comentário!
Muito grata, minha linda!
Beijos

HSLO disse...

Brilhante!

Zélia Guardiano disse...

Marcantonio, meu querido amigo, grande poeta, filósofo...
Não ficas em silêncio porque seria uma pena se ficasse: tudo que dizes é ensinamento!
Além disso, já o despedimos, nomeando-o...
Grata, pela visita e pelo ínteressante comentário!
Abraço apertado...

Zélia Guardiano disse...

Amigo HSLO
Com uma palavra tu me levas ao céu!
Não pode haver alegria maior do que agradar a um amigo com o nosso modesto escrito...
Grata, meu querido!
Forte abraço par avocê!!!

Ana Cavalcantti disse...

Oi Zélia !!!
O Silêncio é meu melhor amigo ...nele sempre encontro tudo o que preciso !!!!
Beijos pra vccccccccc !!!!!!!!

Luiza Maciel Nogueira disse...

Genial Zélia, genial!!

A imagem, o poema, o silêncio simplesmente demais!

Beijo

Dilmar Gomes disse...

Amiga, seu poema me fez lembrar de uma leitura do passado, se não faço confusão: "Quando não encontro resposta para determinada questão, fico escutando o ruido do silêncio" . Essas palavras são de um guru. Mas, você ao invès de escutar o silêncio, coisa que não levaria a nada, muito pelo contrário, transmuta o silêncio, com palavras melodiosas para o deleite dos nossos sentidos.

Lara Amaral disse...

Uau! Realmente, ele tem tudo para passar calma, mas nos deixa numa ânsia...

Bom demais esse poema!

Beijos.

Cida disse...

Ai amiga, mas você sabe que tem horas que eu só quero saber dele como companheiro!
Quando eu tenho que pensar, me concentrar, colocar as idéias em ordem, procuro por ele como quem procura por ar...sofregamente!...

Mas agora já me vou, pois cheguei aqui de madrugada, e não quero perturbar o silêncio!...:)

Beijinhos

Cid@

Jorge Pimenta disse...

o pior silêncio não é aquele que se desprende de vozes e palavras; é o da solidão... mesmo que com o mundo a girar ao nosso lado...
um beijinho, musa dos afectos!

Wilson Torres Nanini disse...

Zélia, o silêncio, como vc bem disse, nasce depois das grandes travessias. E, embora cheio de nervuras difíceis, incomestíveis, paradoxicamente, fez-se em música no seu poema.

Abraços!

Zélia Guardiano disse...

Ana, querida!
Que bom, poder contar com o silêncio , quando a alma pede algo mais...
Fico feliz com sua vinda...
Sempre, amiga!!!
Muito grata!!!
Abraço!

Zélia Guardiano disse...

Luiza, querida
Sua visita e seu comentário são uma injeção de ânimo, para que eu continue a martelar meus versinhos...
Obrigada, minha amiga!!!
Beijinhos...

Zélia Guardiano disse...

Meu querido amigo e grande poeta Dilmar
Sua visita é uma dádiva e seu comentário um estímulo muito grande!
Você sabe quão importante são as palavras que nos impulsionam para a frente...
Muito, muito agradecida, meu amigo!
Abraço bem apertado...

Zélia Guardiano disse...

Oh, Larinha, minha querida amiga e genial poetisa...
Ter a sua aprovação é mais do que importante! Portanto, estou aqui, feliz, feliz!
Grata, pela presença e pelas palavras de estímulo!!!
Abraço e beijinhos...

Zélia Guardiano disse...

Oh, Cida, minha querida
A gente brinca com o danado do silêncio, usa e abusa dele para fazer versinhos, mas sabe, e muito bem, da importância dele...
Eu, na verdade, não vivo sem ele: faço meditação diariamente...rs...
Sua visita muito me alegrou e, seu comentário, então, nem se fala...
Muito grata, minha doce amiga!!!
Enorme abraço e um beijinho de cada lado do rosto...

Zélia Guardiano disse...

Amigo Jorge, grande poeta...
O silêncio da solidão faz sangrar a alma...
A gente sabe muito bem da existência do silêncio e do silêncio...
Eu, por exemplo, gosto de fazer minha meditação diária, e lamento quando qualquer imprevisto ma impede...
Mas, que existe o silêncio verborrágico, tagarela, matraca, ah, este também existe...rs...
Grata, meu amigo, pela fiel visita, pelo interessante comentário e pelo tatamento tão especial, tão diferenciado, que me comoveu...
Enorme abraço!!!

Zélia Guardiano disse...

Wilson, meu querido amigo e admirado poeta
Receber sua visita é uma honra e, se você gosta dos meus versinhos, então, entro em estado de levitação...
Muito, muito grata!!!
Receba um abraço bem apertado, preenchido de admiração...

Zatonio disse...

Ah, o silêncio, nada mais barulhento e dissimulado. Mas sem ele, a beleza de seu poema não existiria...

Ribeiro Pedreira disse...

certas visitas do silêncio me fazem bem, desde que acompanhado da solidão. ÀS VEZES!!!

Zélia Guardiano disse...

Zatonio, querido amigo!
Fico felicísissima com sua visita e com seu simpático comentário!
Grata!!!
Forte abraço...

Zélia Guardiano disse...

Ribeiro querido
Você foi claro, disse bem: às vezes...rs...
Adorei a visita!!!
Abração...

contagotas disse...

Zélia seu poema me fez recuar no tempo e me lembrar que em criança, nas tardes quentes de Verão, quando nada mexia, eu escutava o silêncio.
Por me ter transportado no tempo lhe agradeço.

Beijos
MariaIvone

Jefferson Bessa disse...

Sim, o silêncio também se mostra como presença. Quando ele chega, ouvimos bem próximo. Muito bom conhecer seu blog, Zélia. Um grande abraço. Jefferson.

Zélia Guardiano disse...

Querida Maria Ivone
Que bom que você me diz que houve um resgate da infância!
Eu, que já estou tão longe dela, também costumo reencontrá-la, vez por outra...
Grata, amiga, pela visita deliciosa!
Abraço e beijinhos

Zélia Guardiano disse...

Jefferson
Alegria enorme tê-lo aqui!
Seja muito, muito bem-vindo!!!
Grata!
Grande abraço

Livinha disse...

Silêncio, nosso amigo mais íntimo. Que nos acompanha, escondido.
Quando requerido, mesmo sem querer, na coniv~encia com que estamos a ele, é o mais falante dos amigos, tagarela sem parar, observando os pingos das letras, acentuando, como estivesse na chamativa do texto em nossas cabeças.
Ele sabe, tudo assiste e tudo digere e depois insere sobre nossas mentes, no instante ausente que sem querer, confabulamos com ele.
Quer saber? Nunca estamos sozinhos...

Lindo Dia pra ti
minha flor.

Bjs

livinha

Zélia Guardiano disse...

Livinha querida
Você disse muito bem: o silêncio é tagarela!
O meu silêncio, então, é uma verdadeira matraca( alíás, como eu...rs...): não fica quieto um só minuto... Ai...
Mas, quem sabe, ele nos traz motes para os nossos versinhos...rsrsrs...
Adorei sua visita e seu comentário, minha linda amiga!
Beijinhos para você!!!

Batom e poesias disse...

Zélia
Existem muitos silêncios...
Alguns são mesmo como descreve nesse lindo poema.

Bom demais.

Bjs carinhosos
Rossana

Zélia Guardiano disse...

Oh, Rossana, minha querida!
Que bom tê-la aqui!
Adoro quando você vem...
Grata, linda amiga!
Abraço e beijinhos...

Gerana Damulakis disse...

Z: não canso de escrever aqui sobre a originalidade de sua poesia. O silêncio também virou arte poética.

dade amorim disse...

Silêncio pode ser ameaçador, dissimulado e invasivo. Original essa ideia de silêncio que você passa em seu poema. Original - e nem é novidade.
Beijo, Zélia.

Linda Simões disse...

Zélia,

teu blog é lindo, lindo!

O silêncio é isso que descreves e é também uma prece...


Obrigada pela partilha!


Um beijo,

Linda Simões

Zélia Guardiano disse...

Querida Gerana
Minha vida é mais ou menos pobre em acontecimentos importantes. É muito pacato o meu cotidiano e, paradoxalmente, é sobre o dia-- a- dia que gosto de escrever... Então, tenho de me inspirar em fatos corriqueiros...
Fico muito feliz com sua visita e com a sua aprovação!
Grata, amiga!
Abraço

Zélia Guardiano disse...

Oh, Dade, minha querida
Fico imensamente feliz com suas palavras!
Que mais poderia me agradar tanto, como o fato de você gostar dos meus versos?
Muito grata!
Abraço e beijos...

Zélia Guardiano disse...

Linda!!!
Seja muito, muito bem-vinda!!!
Que bom que gostou do meu modesto espaço...
Ele é seu!
Muito grata, querida!
Grande abraço da
Zélia

Nadine Granad disse...

Aaaaa... o silêncio há muito me assusta!...
Linda personificação... Bom ler-me aqui!

Beijos =)

carolpaysan disse...

O silêncio diz coisas que a som não pode dizer, o som diz coisas que a palavra não consegue falar, a poesia diz coisas que a palavra não pode dizer, a música diz outras coisas e as artes plásticas outras, então como disse Ferreira Gullar em seu primeiro poema do recente livro: "Fica o dito pelo não dito".

Belo poema Zélia!

Zélia Guardiano disse...

Nadine querida
Estamos vibrando na mesma frequência...
Que bom que gostou de ter vindo!
Eu fiquei feliz, feliz com sua visita!
Grata, amiga!
Grande abraço...

Zélia Guardiano disse...

Seja muito , muito bem-vinda Carol!!!
E ainda me fala de Ferreira Gullar...
Visita melhor não poderia haver!
E de tudo que você disse, assino embaixo!
Agora, quanto ao "Belo poema Zélia!", Deus lhe pague!(Porque tem , para mim, importância fundamental!)
Grande abraço!!!

ADRIANO NUNES disse...

Amada Zélia,

Demoro ir a todos os blogues (para comentar), mas isso não significa que eu não leiatudo que se passa(neles/por eles). Gostei muito desse poema!

Abraço fraterno,
Adriano Nunes.