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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Manhã de sexta-feira


Minha
Cabeça:
Emaranhado
De
Lembranças
Turvas
Pensamentos
Toscos
[Difícil
Convertê-los
Em versos:
São
Novelos
Diversos
Com os quais
O bichano
Do tempo
Brincou]

Água
Do café
Pulando
Na chaleira
Fumegando
Secando
No fogo
E eu
Campeando
Maneira
De pôr
Ordem
No
Barraco
Mental
E/ou
Psicológico
[Tanto
Faz:
Dá no
Mesmo]

Se ao menos
Abrisse
A flor
Da
Flor-de-cera

Se ao menos
Abrisse
A flor
Da
Flor-de-são-miguel

Ai
Este
Papel
Em branco
A me
Encarar
[Olhando
Feio]

Socorro:
Onde
O tal
Caminho
Do meio?

44 comentários:

Jorge Pimenta disse...

quem escreve assim há-de lá ter medo da folha de papel em branco?...
um beijo, zelita!

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Zélia
Adoro esse seu jogo de palavras, isso dá ritmo ao poema. Parabéns.
Bjux

carlos pereira disse...

Cara amiga Zélia;

O gato brincou com os novelos do tempo e a minha amiga brinca docemente com as palavras e cria belos poemas com este.
Gostei imenso.
Um beijo

viverempalavras disse...

Zélia, o teu jeito de conduzir os versos me lembrou Minas. Estou encantado com sua sutileza corrente com final mágico.

Parabéns, poetisa!

Cris de Souza disse...

o branco se desfaz ao teu toque...

beijo, passarinha!

Leonardo B. disse...

[talvez que antes, o chão do poema se aconteça no grande silêncio, adentrado, naquele velho sábio que bate muitas vezes por minuto e reconhece à distância todas as palavras do mundo]

um imenso abraço, Zélia

Leonardo B.

Fatima disse...

Vc é muito lindinha Zélia!!!!
Bjs.

Vitor Chuva disse...

Olá, Zelia!

Bonita brincadeira, esta de se inspirar numa suposta falta de inspiração para se inspirar, e preencher esta folha de papel, de forma lindamante inspirada. Se falássemos de religião, diria que era um acto de criação do muito, a partir do nada.
Muito bonito, Zelia!

beijinhos.
Vitor

Dilmar Gomes disse...

Amiga Zélia, mais uma vez, você escreve outro excelente poema; aliás, tenho observado que o seu trabalho nunca sofre quedas, ele é de um nível de qualidade constante, sem aqueles altos e baixos que acontecem com a gente. Neste poema, voce oferece subsídio para o desenvolvimento de várias idéias, porém, aterei-me, brevemente, sobre dois itens. Primeiro: você recuperou um termo muito usado antigamente aqui no Sul, mas hoje anda meio no esquecimento, o verbo campear. Segundo: Quando o papel em branco nos olha feio, que angústia nos dá!
Um grande abraço

olhodopombo disse...

a foto/imagem
palvras/poema
eis tu, Zelia.....

Paulo Jorge Dumaresq disse...

Zélia querida, brincar com as palavras não é para todo poeta. Você o faz com extrema competência. A "brincadeira" de hoje só atesta o que eu escrevi. Então, amiga, aproveite o seu dom lúdico e continue "fazendo arte" por meio da poesia. Forte abraço.

Justine disse...

Mais um delicioso tratado de ironia, brincando com as memórias antigas. A foto, um baú de recordações:))

Angélica Lins disse...

Reflexão aguda em deslumbrantes palavras.
A certa altura do poema ficou evidente que o que fervia, já havia entornado.

Flávio Morgado disse...

A ironia é sempre um recurso fabuloso!

F.M.

Rayuela disse...

en el ritmo
de tus versos!

(nunca se apaga tu capacidad de jugar con las palabras)

besos,Zélia*

Um Poema disse...

....

De facto, amiga, não há papel em branco que resista muito tempo. A facilidade com que desdobras o teu sentir é disso garantia.

Um abraço

manuel marques disse...

"O tempo nada mais é do que a distância entre as nossas lembranças ."

Bom fds.

Beijinho minha querida.

Cida disse...

Pois é amiga, e o "caminho do meio", estava, de fato, o tempo todo à sua frente, tanto que você finalmente se deparou com ele, e assim, ganhamos todos, pois você nos brindou com mais um primoroso poema.

Só você, amiga, prá conseguir extrair leite de pedra!
Prá você, eu tiro o meu chapéu!...:)

Tenha um final de semana luminoso.

Jinhos da Cid@

Manuela Freitas disse...

Olá querida Zélia,
O tempo feito gato enrodilhou o novelo, para o desembaraçar não é fácil, mas ele anda sempre em nós, são vidas e vidas emaranhadas. (Eu ao pensar na minha vida, por etapas, divido-a em vidas)
Sim é bom descansar na flôr que nasce, no pássaro que levanta voo, nas pequenas e simples coisas da vida!...Ter a sensação de parar, apesar do tempo andar sempre numa correria vertiginosa!
Beijinhos,
Manú

Cacá disse...

Quem sabe o caminho do meio não está na palavra escrita? Você trafega entre suas infinitas possibilidades com uma desenvoltura tão adorável que encanta qualquer vivente. Meu abraço, Zélia! Paz e bem.

Úrsula Avner disse...

Lindo Zélia ! Poesia de alta qualidade... Amei ! Sua escrita encanta...Bj com carinho.

Toninhobira disse...

No barraco mental/ e ou psicologico,isto é de uma reflexão fenomenal e ainda assumir; que tanto faz,pois no fundo dá no mesmo é de uma categoria poética/futebolistica de invejar Pelé.Eu não vou pelo meio,mas sei que esta inspiração se assanha a cada momento,num minimo movimento de um objeto que emite um som,quem sabe o creptar da madeira no fogo,qu enseja um delicioso cafe? enfim há uma inspiração afinada,com dominio total das palavras obedientes.Fico aqui aplaudindo como bom mineiro de cocora ao lado deste fogo,cortando fumo de corda,rsrs.Meu abraço Zelia de muita paz e luz.

AGNALDO NO ESPELHO disse...

Zélia querida,

De uma precisão são esses seus versos que, nem sei... Acertam em cheio, flecha de fogo, a inquietação de querer dar voz à alma sem encontrar palavras que traduzam seus intentos.

E a chaleira, o bichano, e o papel em branco armado com suas lâminas de ausência, querendo nos enfrentar com essas afiadíssimas navalhas. Permanecer virgem... Tudo tão bom, tão simples, tão encantador...

Ah, e por acaso, bem aqui do lado esquerdo do texto que estou escrevendo para você aparece o "NO ESPELHO" referenciado. Emocionado, agradeço.

Super beijo.

Gerana Damulakis disse...

Difícil converter seus pensamentos em versos? Mas é isto que vc faz aqui e faz muito bem.

Mirze Souza disse...

Zélia!

Estava certa de ter comentado, mas...como não está aqui, direi o que senti ao ler seu belo poema !

Um poema de sentir o ato no momento da criação!

Belíssimo!

Beijos

Mirze

Lara Amaral disse...

O poeta é assim, vive de extremos.

Beijo, linda, adoro vc!

Glorinha L de Lion disse...

Zélia, me deleito vindo aqui!
Vc brinca fazendo das palavras um jogo de deliciar quem te lê. Viva vc, Zélia. beijos.

Assis Freitas disse...

o papel em branco já é o meio, o início e o fim



abraço

Carla Farinazzi disse...

Zélia,

Que riqueza de poema! E que riqueza de foto...!

O conjunto nos faz viajar.

Beijo

Carla

Domingos Barroso disse...

O Tao é esse teu olhar
sobre as coisas
e sobre si mesma.

O emaranhado (pontos a cruzarem-se)
dão-se formas e no alto
nuvens criam fisionomias.

Terno abraço,
minha amiga
poetisa elevada.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Ai, ai, acho graça do caminho do meio. Pra mim, ele é lenda. Eu nunva vi, nem de relance!

Tais Luso disse...

Oi, Zélia, mas que cabeça não tem lá seus emaranhados e turvos pensamentos? Que lúdico fica analisar nossos atos e nossos tormentos desta maneira, tão mais leve... Muitas vezes é brincando que chegamos às conclusões que precisamos. Amiga, as coisas são tão difíceis para a maioria dos sobreviventes que ler estes teus versos é algo muito agradável. A vida fica mais leve, não?
Um grande beijo, gostei de vir aqui e conhecer mais de teu espaço.
Tais luso

Jefferson Bessa disse...

poema que se abre enquanto novelo, sinalizando ainda assim turvamente. Um prazer vir aqui, Zelia. Beijos. Jefferson.

Kimbanda disse...

Ah Zélia, essa chaleira deitando seus vapores é como teu poema despontando e fazendo-se no ar que respiramos a partir do teu saber.
Esse papel nunca foi feio,
pois estava impaciente esperando teu manuscrito,
ele sabia como ia ficar bonito.

Um domingo de nuitas e agradáveis surpresas para ti e os teus.
Bj. e kandandos meus.

Silvana Nunes .'. disse...

Que cabeça seria diferente ?Gostei muito do espaço.
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... e MEU CADERNO DE POESIAS, desejam uma boa semana para você.
Saudações Educacionais !

Em@ disse...

Zélia, não consegui deixar de dar uma gargalhadinha .
gostei muito, apesar de falar de uma espécie de angústia e ansiedade, senti uma dose grande de ironia neste seu poema.
beijo, querida.

Rosemildo Sales Furtado disse...

Oi Zélia! Passando para te desejar uma ótima semana e dizer que é sempre gratificante passar por aqui, pois a gente sempre aprende alguma coisa. Belo poema. Imagine só, se estivesses inspirada.

Beijos,

Furtado.

Liene disse...

E com os fios do tempo tece-se os dias e as lembranças...

Carinho sempre, Zélia!

Uma semana de luz pra você!

Gabriella Santos disse...

Nossa!!!
Fiquei impressionada o quanto você transmite sinceridade em suas palavras tão doces e tão fortes ao mesmo tempo.
Com certeza tenho o prazer de citar o seu blog e pra mim seria uma honra ter o meu espacinho citado num blog de tão alta estirpe e qualidade.
Beijos de quem admirou muito seus pensamentos.

Eliane Furtado disse...

Diante da sua sensibilidade, um papel nunca ficará em branco.
Lindo verso este e a foto me faz lembrar meu fogão a lenha e tantas coisas mais.

Mariazita disse...

Minha querida Zélia
Mais um magnífico exercício de palavras conjugadas com muita arte para compor um lindo poema.
"São
Novelos
Diversos
Com os quais
O bichano
Do tempo
Brincou]" - Sublime!

Obrigada por seu comentário na minha "CASA" e votos nele expressos.

Uma boa semana. Beijinhos

Valéria Sorohan disse...

Sempre leio seus versos numa tacada só. Ritmo e muita poesia.

BeijooO*

Fernando Campanella disse...

Inteligentes, sempre, minha cara amiga, os teus versos. E de uma fluidez maravilhosa. Algo novo, sentido, perceptivo. Gosto de te ler.
Abraços.

ju rigoni disse...

E a poeta nunca há de resistir à sedução do papel em branco. Para nossa sorte.

Que maravilha, Zélia!

Bjs e inté!